Ele se apresentou no rio Jordão, submetendo-se ao batismo de João, o Batista, exatamente para que pudesse ser identificado por aqueles que O aguardavam.
Ele era o Enviado, o Cordeiro de Deus, Aquele que viera para acender o fogo da transformação nas almas.
E tinha pressa que se incendiasse a Terra, que Seu rebanho evoluísse sem tantos percalços, furtando-se a muitas dores.
Saindo das águas, Ele foi seguido por dois discípulos do Batista. Quando eles lhe indagam onde mora, o convite do Mestre é para que O sigam e vejam.
Em resumo, Ele diz que as cobras têm covis, os pássaros têm ninhos, mas ele, o Filho do Homem, não tem uma pedra para repousar a cabeça.
E, contudo, realizou uma revolução, transformando pescadores do mar da Galileia em pescadores de homens, no imenso mar das turbulências humanas.
Em Seu tempo, não havia livros. Existiam os rolos de papiro e pergaminho.
Mas Ele não se serviu de nenhum desses materiais para deixar gravado o Seu ensino, que foi todo oral.
Ele semeou luzes nas mentes humanas, o mais extraordinário depósito de sabedoria de todos os tempos. Um arquivo que, através dos séculos e das idades, somente se engrandece com acréscimos do conhecimento.
Um dia, somente um dia, Ele escreveu no pó da terra algumas palavras.
Referiam-se aos equívocos daqueles homens que estavam na praça, pedindo-lhe o julgamento de uma mulher surpreendida em adultério.
Escreveu na terra. O vento apagou as letras, que, no entanto, ficaram gravadas, de maneira indelével, na consciência de cada um dos que se retiraram do local, envergonhados.
Naqueles dias, não havia tecnologia de ponta para projeção de imagem e som. Ele subiu a um monte e projetou a Sua voz para ser ouvida com absoluta clareza por mais de cinco mil pessoas.
Ele não se serviu de nenhum meio de transporte. Viajou constantemente a pé entre povoados e cidades da Galileia, da Judeia e da Pereia.
Não temos ideia exata de quantos quilômetros percorreu. Uma estimativa conservadora sugere que Ele pode ter percorrido cerca de trezentos e vinte e um quilômetros.
Especulações baseadas em um cálculo mais amplo de Sua vida sugerem milhares de quilômetros, chegando a cerca de trinta e quatro mil.
Não há um número exato e universalmente aceito, pois os Evangelhos focam nos ensinamentos e eventos, não em um registro detalhado de viagens.
Sem recursos externos, que hoje nos favorecem a comunicação e o marketing, Jesus nos deu o exemplo de como se pode utilizar os recursos próprios para concretizar o que nos compete.
Pensemos o quanto nós podemos realizar dispondo dos livros, da internet, das plataformas digitais, das redes sociais.
Sobretudo, prestemos atenção ao fato de que são todos talentos, que nos são disponibilizados.
Talentos dos quais teremos que prestar contas em algum momento. Afinal, Ele mesmo asseverou que nos compete dar contas da nossa administração.
Administração do tempo, dos recursos da inteligência, dos talentos do conhecimento e tudo o mais que o extraordinário mundo dos homens nos oferece.
Redação do Momento Espírita
Em 28.3.2026